segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

DEPRESSIVO MOMENTO

Como em um filme em branco e preto
Como no cinema mudo
Hoje, tudo passa silenciosamente por mim
Tudo passa tão desbotado e morto

O horizonte parece não existir
O objetivos futuros parecem cair por terra
A respiração, dificultosa, intensifica a solidão

Pareço estar morto
Desejo a inercia eterna dos corpos falecidos
Renego minha origem
Destruo meu passado

Solitário, triste, morto
Espero por um milagre

Leonardo Xavier

domingo, 30 de outubro de 2011

UM DIA NÃO MUITO BOM

Ao amanhecer, o travesseiro aparentou ser menor
em volto tudo ser tão gigante
esquisito, triste, estressado
tentei fazer minhas coisas torpes cotidianas
mas não fui capaz
tudo, simplesmente tudo
acabava com a serenidade
todo se tornava absurdamente indignante

o sono vinha
mas continuei ali
um ser esquisito, triste, estressado

o céu chorou
lavou-me o corpo
mas continuei com o espirito negro
sujo, feio

o sol se foi
deitou-se sobe a cama
negra do universo
dando ligar a dama da noite

ela cobriu-me com sua lua
hipnotizante
fez-me lágrimas escorrer

porém continuei
esquisito, triste, estressado

Leonardo Xavier Gonçalves

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

INERTE

Os dias voltaram, monotonamente, serem iguais
o sol, que um dia sorria um amarelo vivo
hoje sorri um alaranjado sorriso ferrugem
o verde das árvores se tornaram seco
perderam a vida
nuvem que outrora foram brancas 
manchando o céu azul
hoje são cinzas, o céu é cinza

o ar seco
queima as narinas
seca os pulmões
rouba dos olhos a lágrima que rolaria
pelo rosto

compassado, o coração, bate sem 
alguma emoção
bate choroso, bate apático
bem, simplesmente bate e bombeia

perdi em algum canta
em algum beco
em algum...
aquela coisinha que fica la no fundo
que nos faz ver no meio do pântano
a flor que brota bela e exuberante
perdi o amor


Leonardo Xavier Gonçalves

 

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

como cantou o poeta
"dizem que sou louco
que você manda em mim"
bebo da fonte
sim, sou loucamente alucinado
alucinadamente apaixonada
burro, idiota entre outras coisas
coração explode, chora, sangra
mas logo cicatriza e volta a bater

vivo na labuta de viver
esmero meu espirito
e sigo com a consciência tranquila

Leonardo Xavier Gonçalves


terça-feira, 26 de julho de 2011

SEM RUMO

momentos de alegria
momentos de tristeza
vivo em um montanha russa
encontros e desencontros
acho pessoas
perco pessoas

elas entram
me constroem
se vão e me demolem

marcar, com felicidades, lágrimas
se vão... andando e me deixam para trás
ou são arrancadas de mim
simplesmente param mas partem
param eternamente

meu coração ansioso
apaixonado, vive grandes emoções
cansado deseja, já, parar de bater

sol amarelo brilha
a lua majestosa, joga a sua luz
branca, limpa sombre mim

feliz, triste, acompanhado ou só
vivo um montanha russa
que desejo não vivenciar
não sei se meu coração indeciso
aguenta tanta coisa

Leonardo Xavier

sábado, 2 de julho de 2011

Cenas Espirituais

vendo à televisão
rostos morenos passam
com véus brancos que cobrem cabeças
em filas, seguem por dentre caminho pedroso
com algumas poucas árvores, com sombras mínguas
arbustos calvos verdes

a luz incide sobre tais rostos
amarelo alaranjado, vão se tornando
os escaços sinais do sol
vão sendo substituído
por fracas chamas
de velas esqueléticas

vão eles seguindo
entoando orações

a televisão se desliga
e vou tomar um café

Leonardo Xavier

sábado, 25 de junho de 2011

ALFORRIA MENTAL

levanta fazendo sempre as mesmas coisas
fazia as mesmas coisas
numa rotina monótona
o cérebro não respondia
os músculos ,já, automaticamente
se moviam sós

na face, ao redor dos olhos
manchas negras transpareciam o cansaço mortal
rugas brotavam por toda ela

a fome sumia, o peso diminuía

ó mente escrava, agora é nova fase
te dou alforria
mesmo curta, breve
liberte-se, viva, transcenda-se
agora é fase de liberdade

que se vão as manchas negras
o automatismo muscular
a falta de resposta cerebral

porque hoje assino a sua alforria

Leonardo Xavier